Um conto Inner Game, por Tim Gallwey

Em 1971, enquanto eu estava em um ano sabático de minha carreira no ensino superior, eu aceitei um emprego como professor de tênis em Monterey, Califórnia. Um dia, percebi que muitas das minhas instruções estavam sendo incorporadas na mente do aluno como uma espécie de “comando e controle”. O autodiálogo do aluno estava interferindo significativamente tanto em sua aprendizagem como em seu desempenho. Havia muita coisa acontecendo na mente de meus estudantes de tênis que impedia o verdadeiro foco de atenção.

Comecei a explorar maneiras de focar a mente do jogador na observação direta e não-crítica da bola, do corpo e da raquete de uma forma que aumentasse a aprendizagem, o desempenho e o aproveitamento do processo. Com esta nova consciência, os jogadores de tenis amadores pareciam desenvolver naturalmente e sem instrução específica, os instintos e a fisicalidade de jogadores muito mais experientes.

Em 1974, essas experiências de sucesso foram publicadas no livro The Inner Game of Tennis. O livro superou as minhas expectativas e da editora, vendendo 100 vezes mais cópias do que o previsto e logo se tornou um best-seller do New York Times.

Pouco tempo depois, o canal KCET produziu um documentário com o tema “The Inner Game of Tennis”,  com foco em temas como, superação de medos, concentração máxima, quebra de maus hábitos, etc.

Em 1977, quando foi publicado o livro The Inner Game of Skiing, eu apliquei essas mesmas técnicas de aprendizagem aos esportes no gelo. O livro abordou especificamente temas voltados a superação dos vários medos experimentados geralmente nesse tipo de esporte.

Nos anos 80, a Random House me pediu para escrever o The Inner Game of Golf e, ao fazê-lo, descrevi o aprendizado do ponto de vista de um estudante, que era eu. Talvez mais do que em qualquer outro esporte importante, o golfista é vulnerável a mudanças sutis na mentalidade, que pode ter um impacto drástico sobre o seu desempenho.

Nesta mesma época, Barry Green, o baixista principal da Orquestra Filarmônica de Cincinnati contribuiu para o desenvolvimento do livro The Inner Game of Music, outra atividade em que tanto o medo do fracasso podem interferir na qualidade do desempenho.

A partir de meados dos anos 70, muitos líderes e gerentes corporativos de empresas como AT&T, IBM e Apple reconheceram as implicações dos conceitos do Inner Game e começaram a usá-los como modelos para facilitar as mudanças desejadas no ambiente de trabalho.
Centenas de palestras foram entregues com uma ampla gama de aplicações para o Inner Game, incluindo alcançar a excelência no desempenho, aprender a aprender em uma era de mudança, gestão, liderança e coaching.
Na década de 1990, o Inner Game foi o método usado para treinar os grandes gerentes da Coca-Cola Company.

O The Inner Game of Work publicado em 1999, traz os conceitos e metodologia do Inner Game aplicados por indivíduos e organizações.

Com a virada do século, o meu foco principal estava voltado para a construção de equipes. O trabalho de superação dos obstáculos enfrentados por pessoas que trabalham em conjunto é desafiador e fascinante. Na última metade de 1999, eu junto com o Dr. Valerio Pascotto facilitamos mais de 50 equipes, e fizemos um trabalho pioneiro de aprendizagem no campo do trabalho eficaz.

Em meu trabalho com equipes e empresas, descobri que um dos  obstáculos principais era o estresse. Em 2009, colaborei com dois médicos respeitados, o Dr. John Horton e o Dr. Ed Hanzelik, para estudar como o stress afeta os nossos corpos e mentes. Nós exploramos como os princípios do Jogo Interior poderiam ajudar não somente a gerenciar o stress, mas também na redução e na prevenção do mesmo. A partir desta pesquisa, publicamos o The Inner Game of Stress.

Em 2011, a The Inner Game School foi lançada no Brasil. A escola está em processo de expansão e atualmente está presente também na Itália, Espanha, República Tcheca, Dinamarca, Rússia e nos Estados Unidos.